A história do “descarrilhador” de bicicleta (parte I)

Uma bicicleta de competição tem muitas peças importantes, mas uma em especial tem uma importância maior (sem ela o Mountain Bike sequer existiria), e muitas vezes nem damos muita atenção a ela. Essa peça é câmbio de marchas. Embarque nesse post para conhecer mais sobre o descarrilhador, ou câmbio de bicicleta e a sua história.

Câmbio traseiro, essa peça reformulou a história da bicicleta

Câmbio traseiro, essa peça reformulou a história da bicicleta

Origem

O ciclismo de estrada é o pai dos esportes com bicicleta, e foi através dele que surgiu a necessidade de se criar uma forma dos ciclistas vencerem as montanhas das provas da Europa. O início de tudo se deu com a criação da roda livre, pois os atletas podiam parar de pedalar para descansarem os músculos, além de ser muito mais seguro para pedalar. A partir daí começaram a surgir as primeiras “soluções”. A primeira delas foi em 1914, com a adoção de uma roda com duas engrenagens, uma maior para trechos mais íngremes e outra menor para trechos planos.

Sistema de inversão da roda. Esse mecanismo permite a centragem da roda de acordo com a engrenagem escolhida

Sistema de inversão da roda. Esse mecanismo permite a centragem da roda de acordo com a engrenagem escolhida

Os ciclistas tinham que parar, tirar a roda traseira da bicicleta e inverter o lado da roda para usar a engrenagem que precisavam. Imaginem uma cena dessas em pleno Tour de France

Os ciclista da foto estão invertendo as rodas das sua bicicletas num Tour de France da década de 1930

Os ciclistas da foto estão invertendo as rodas das suas bicicletas num Tour de France da década de 1920

O próximo passo foi a criação de rodas livres com 2 ou 3 engrenagens (algumas bicicletas que usavam esse equipamento eram de cubo contra-pedal). As rodas usavam “borboletas” no lugar das porcas, o ciclista girava as borboletas e encaixava a corrente no pinhão que iria usar e apertava novamente as borboletas e seguia em frente. As vezes as rodas saíam do centro durante o percurso e o ciclista tinha que saltar da bicicleta e ajustar a roda novamente!

Sistema de 2 engrenagens e mudança manual. Repare nas borboletas usadas para apertar e afrouxar as rodas

Sistema de 2 engrenagens e mudança manual. Repare nas borboletas usadas para apertar e afrouxar as rodas

O grande problema de parar para ajustar a roda não durou muito tempo, ainda na década de 1920 Alfredo Binda usava um esticador com roldana que ajustava a tensão da corrente, esse esticador ficava preso próximo ao movimento central e era acionado por uma alavanca.

Sistema de mudança manual com esticador de corrente

Sistema de mudança manual com esticador de corrente

Entre 1924 e 1925 uma fábrica de bicicletas chamada Ancora, criou uma novidade, o Câmbio Victoria. Este câmbio usava um esticador com mola e trocava a corrente nos pinhões através de um dispositivo de duas aletas, fixado no lado de cima do tubo traseiro horizontal, um pouco a frente do pinhão. A troca de marchas acontecia pelo girar desse tirante para um lado ou para o outro, bastando apenas pedalar para trás. Com o uso da mola no esticador, a corrente ficava sempre ajustada. Este câmbio, batizado com o nome de “Vittória Margherita”, já permitia o uso de uma roda livre de quatro velocidades, e a partir dele os melhoramentos foram acontecendo rapidamente.

O câmbio Victoria usado nas bicicletas Ancora

O câmbio Victoria usado nas bicicletas Ancora

Surge uma lenda

A 2° Guerra Mundial colocou um intervalo nas competições e no desenvolvimento tecnológico das bicicletas, mas logo após o fim da guerra, as atividades foram retomadas e as novidades começaram a surgir. Os câmbios deram um grande salto. O nome que, dali para a frente, passaria a ser sinônimo de desenvolvimento tecnológico era: Campagnolo. Mas isso é assunto para o próximo post da semana que vem. Participe do nosso blog, envie suas sugestões, críticas ou dúvidas, sua participação é muito importante.  Boas pedaladas e até a próxima!

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